Dar ao mundo o que somos

Um mês passou desde o lançamento oficial do meu "1985".

Fiz algumas apresentações, falei com pessoas, fui a podcasts, e coloquei cá fora muito do que me povoa por dentro. C.S Lewis escreveu "To love at all is to be vulnerable". O amor pede vulnerabilidade. Mas a vulnerabilidade revela o que nos dói. A beleza está nesse salto de fé: eu mostro-te a minha sensibilidade e espero que a uses para acrescentar algo em ti ao invés de me atacares com ela.

Apresentei a minha obra em quatro sítios distintos. Quarteira - minha terra natal -, Loulé, Coimbra e Porto. E sei o que é ter uma sala composta de pessoas que nos querem bem e desejam ouvir, e uma sala vazia. Em Quarteira e no Porto, senti o calor humano e fui muito acarinhado. Em Loulé e Coimbra, passei por aquilo que qualquer escritor tem de passar: a capacidade de enfrentar o espaço vazio. É nessas alturas que importa lembrar o motivo pelo qual estamos onde estamos.

O que nos move? O que me move?

Dar o que de mais profundo somos e esperar que do outro lado haja compreensão.
Do outro lado? Ou do lado de cá?
É solitário. É necessário.

Olho para diante, e não sei exatamente qual o caminho a seguir. É preciso aprender a vender melhor o livro, é preciso aprender a comunicar melhor sobre o que trata a obra e, simultaneamente, sinto como se isso fosse quase um atentado ao artista que trago dentro.

A pergunta é: quero que as pessoas leiam "1985" ou me leiam a mim?

Escrevi esta obra para falar das minhas preocupações existenciais e metafísicas, mas escrevi-a também para que a minha ex leia e sinta o quanto me tocou e afetou. Porque a literatura é tudo isto, querer impactar o mundo todo e, ao mesmo tempo, chegar àquela pessoa. É quase sempre sobre "aquela" pessoa, não é? Sem "aquela" pessoa, quanta da grande literatura mundial não veria o luar da noite?

Dou ao mundo o que sou, mas ainda não o faço de uma forma totalmente honesta.
Mas lá chegaremos. Lá chegaremos.
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