Deus como ponto de fuga: a espiritualidade escondida em 1985
Escrevi um livro de distopia. Mas na verdade escrevi sobre Deus.
Falo de Deus no meu livro, e cada vez mais é óbvio que Ele é o ponto de fuga de toda a realidade. Sem Ele, não há perspetiva, e as coisas não chegam nem sequer a ser a sua possibilidade.
O Ego é o fora, é o material, a fuga à viagem mais importante. Percorremos léguas infindáveis apenas para fugir à distância de nos sentarmos connosco próprios. O encontro com Deus é também o encontro com a nossa sombra. Porque é nas rachas do nosso edifício que O encontramos.
Este livro vai para Deus. Como não? Sem ele, a vida não passa de uns óculos na face de um cego. Cristo veio para dar visão a esse cego, e esse cego somos todos nós. Esse cego sou eu.

É essa a verdadeira história da queda, não é? No Éden, Adão e Eva não precisavam de procurar Deus, porque estavam na Sua presença. Contudo, após a queda, é preciso lutar por essa ligação, é preciso "re ligare". Deus nunca foi embora. Nós é que nem sempre nos achamos dignos Dele.
Não há beco sem saída, não há nenhum pecado para além da redenção. O meu 1985 quer levar-vos por ruas apertadas e duras, mas apenas porque "estreita é a porta que leva à vida eterna".
Leiam-no sem medo. Nunca deixem cair a candeia. Wilson tem em si Deus e a negação Dele. Porque o Ego não pode aceitar o que não compreende, e o Ego não compreende nada que vá além do material. Por isso foge como o diabo da cruz.
Creio que o meu 1985 tem muito de cruz. E espero que tenha também algo de redenção, de ressurreição. Mas isso, deixarei para vocês julgarem.
Se isto te tocou, o livro está em 1985.pt.