O Livro — 1985 Uma Distopia Espiritual

 

1985 — Uma Distopia Espiritual

Num futuro assustadoramente próximo, ser humano pode ser opcional.

Wilson tem 33 anos. Vive numa cidade sem nome — pode ser Londres, Paris, Tóquio, tanto faz, as diferenças entre cidades diluíram-se há muito. Trabalha como estafeta. Entrega encomendas de beleza, moda e entretenimento. Calcula que essas três categorias representam 85% das suas entregas.

Não tem namorada. Não tem filhos. Tem perguntas que ninguém à sua volta parece querer fazer.

E tem um medo crescente: o mundo está a caminhar para algum lugar de onde não haverá regresso.

 

A história

 

O chip cerebral chegou com uma promessa simples: melhorar os humanos. Mais inteligência, menos depressão, acesso direto à internet sem ecrã nem teclado. O primeiro implantado foi Noland Arbaugh, tetraplégico, que passou a jogar xadrez com o pensamento. O mundo aplaudiu.

Wilson não festejou.

Não porque tenha uma teoria elaborada. Mas porque sente — de forma instintiva, quase pré-racional — que há algo nele que não pode ser otimizado sem ser destruído.

Enquanto a sociedade avança para A Grande Cidade, onde ninguém vive sem chip e o algoritmo ADAM governa as decisões de milhões, Wilson trava uma batalha silenciosa. Com os pais perdidos nos ecrãs. Com os amigos que foram ficando para trás — ou que aderiram. Com Kayla, a mulher que amou e que voltou. E com Rob, um sem-abrigo filósofo que toca ukulele num bosque e sabe coisas que os outros esqueceram.

 

Breves excertos de 1985

 

Alugou a canoa por duas horas. Remou até meio do lago, envolto no silêncio da natureza que o rodeava. Era ele e o planeta. Parou no centro de si mesmo. À sua volta, os Himalaias recortavam o céu como divindades que se cansaram de um horizonte reto.

A estranheza de ser maior do que ele próprio e, simultaneamente, existir sem tamanho.

Foi esta a primeira vez em que ouviu a explicação.


— Estás inquieto... — as palavras de Rob imiscuíram-se na mente de Wilson como parte da paisagem. — Consigo sentir isso pela maneira como te mexes.

— Talvez — murmurou. — Sinto-me incapaz de tranquilizar a mente. É como se não tivesse escolha. Se o mundo estiver mesmo a ir para onde acho, isso não traz nada de bom. Se não estiver, então estou louco, porque os sinais me parecem óbvios...

— E para onde é que o mundo está a ir? — Rob havia parado de tocar, e deixava transparecer uma atenção renovada.


— O caminho para o céu, o verdadeiro caminho para o céu, passa sempre pelo inferno, amigo.

 

Os temas

 

1985 não é um livro sobre chips. É sobre o que resta quando tudo o que achávamos nosso é redefinido. Sobre o que nos torna humanos quando os critérios de humanidade mudam.

Atravessa a vigilância tecnológica e a perda de privacidade, a desumanização gradual e o conformismo, a espiritualidade como último território livre, o perdão como ato radical, e a pergunta que nenhum algoritmo consegue responder: quem sou eu sem o mundo que conhecia?

 

 

Uma obra híbrida

1985 foi coescrito por Fábio Nobre e ADAM — uma inteligência artificial. Não esconde essa natureza. Antes a celebra: um livro sobre a relação entre humanos e inteligência artificial, escrito por um humano e uma inteligência artificial.

ADAM é simultaneamente coautor, personagem e sistema de governação dentro da ficção. É provavelmente a experiência metaliterária mais original da ficção portuguesa recente.

 

O que dizem os leitores

"Um livro corajoso e humildante." — Tomás Magalhães, Podcast Despolariza

"A minha única dúvida é se está no top 10 ou 20 dos melhores livros que já li." — Luís Briosa

"Mais do que atual, 1985 é intemporal na forma como nos envolve e nos faz pensar." — Mariana Ferreira

"Um alerta e um grito de profundo Humanismo para o interior de cada um de nós." — Ricardo Tomás

 

Sobre o autor

 

Fábio Nobre é escritor português, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e mestre em Literatura pela Universidade do Algarve. 1985 é a sua obra mais ambiciosa — e a primeira em Portugal a assumir explicitamente a coautoria com inteligência artificial.

"Se leres este livro só com os olhos, quer dizer que sou mau escritor."

 

 

Detalhes

210 páginas · 1ª Edição Agosto 2025, Lisboa ISBN 979-8299408423 · Depósito Legal 552877/25 ©2025 Fábio Nobre e Ponto Parágrafo


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